terça-feira, 26 de junho de 2012


Meu signo no horoscopo do jornal é de terra, birrento, teimoso, barato. Esse que eu sou, esse que fui eu.
Meus calos me apertam, tento correr sozinho pela terra, de pés descalços, individualista. Tá escuro, sozinho não dá, faz frio, sozinho não dá, torno a repetir. Companhia? Cigarro!
O bonito é que a fumaça se mistura com o frio, isso me motiva a escrita, nem tão bonita.
Crio adjetivos.
Sozinho novamente, bancos, gramado bem regado, chuva. Não estou sozinho.
Sabe que só tenho medo de morrer nesses momentos calmos, onde me encontro.
Outro dia tomei remédios e bebi, não fez nada. Talvez morte seja só uma ilusão. Foi mal.
Coração acelera perseguido por ninguém, arritmia. Morri.
Retornei na fumaça, sou lento.
Sabe que tenho um lance com fumaças, vejo-as dançar, bailar e depois somem, mas não deixam de ser fumaças, comparo com pessoas.
Meus calos doem na mania exacerbada de viver. Escuro.
Você me entende? Você pode me entender? Sei que não. Então  não finja.
Sem compensação social. Adeus, vodcas, cigarros e drogas estão na sala de estar, restando-me ser um bom anfitrião.

Marcelo C.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A vivência de Lisa


Lisa tinha uma boneca, amava, penteava e dava banho.
Lisa cuidava da boneca com amor prioritário, exagerado.
Era só uma boneca Lisa, não tem pra quê tanto bom grado.
Boneca bem cuidada, boneca mal grata. Ingrata.
Criou vontade própria e foi embora na caixa de brinquedos velhos, mas a boneca era nova só queria fugir de Lisa.
E foi...
Lisa sem a boneca ficou, ingrata boneca se achou liberta.
Mas à Lisa não libertou. Chorou.
A boneca longe de Lisa ficou feliz nunca mais voltou.
Lisa cresceu.
O amor pela boneca se escondeu.
Reencontrou depois de anos, bela a boneca.
Sua nova vida era boa, sua nova dona a cuidou muito bem.
Mas não era Lisa.
A boneca sentiu falta dos cuidados de Lisa, arrependimento pintou e passou.
Uma aproximação casual com a dona, a boneca e Lisa.
Emocionou a boneca e lisa suspirou.
Não era a mesma boneca, os sentimentos não existiam mais.
Acabou.
Lisa sorriu. Sentiu que acabou no momento que a reencontrou.
Acabou.
Lisa sentiu.
E com um adeus boneca. Adeus Lisa.
O vinculo se findou.

Marcelo C.

domingo, 17 de junho de 2012

Procura-se a memória esquecida


Meu cão fugiu de mim, eu que sou sua casa, despedaçada ela chorou. A casa esvaziou ele não pensa como antes, envelheceu, pobre do meu cão, se mudou pro fim da rua e eu daqui ouço seus latidos, não como antes, ele só pensa em latir pro outro e o outro pensa que a vida não é boa. Tudo mudou e a ciência não explica, perguntarei ao meu velho cão, responde a deus. Adeus.
Já tá valendo, eu vi que ele passou na TV: “procura-se meu cão desmemoriado”.

O cachorro no meio da geladeira vira uma ciência congelada. Ele, preto e vermelho, quer que  eu ouça seu latido.
Os amores perdidos que não vão voltar, as nuvens que nos separam nunca irão se dissolver. Você tem que voltar para eu não te esquecer.

E com uma placa de gelo pelas ruas, vem pra mim meu amigo o destino não é o fim, sai dessa geladeira que meu latido ai é maior que o teu, sobe a rua, você não sabe como avança essa ciência.
Você tem que voltar para eu não te esquecer.

Marcelo C.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Livre


Quais são os motivos, preferências, referências de uma pessoa escrever?
Eu diria que são a vontade e o acaso, não que eu acredite em acaso, só acho.
Hoje perdi uma prova importante, acordei com vontade de escrever algo mas não sei de nada belo no momento.
Descrevo o dia.
Perdi a manhã, alguém perdeu algo importante pra si hoje, outros nem tiveram.
Tente enxergar além das palavras.
Uma mãe ama seu filho por ser seu filho ou porque ama as pessoas?
Pausa, essa vida é feita de questionamentos. Duas vidas de respostas. Três de entendimento.
Tédio.
Solta a vida, acelera, para, nasce e morre. Volta.
Padrão universal do amor, não amo uma pessoa porque ela me pertence, se não a tenho também a amo.
Amo o vento, ele é solto.
Não basta falar coisas sem sentido algum, tem que ter sentido, buscar o coletivismo das palavras.
A falta é grande.
Mais uma vez padronização do amor, você não ama a pátria, é uma obrigação servi-la.
Seja livre.
Ninguém ama por obrigação, se eu caio com a força do vento e encharco com a chuva, você ficou a mercê de me entender.

Marcelo C.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Em tempos de outrora era eu...


Em tempos de outrora era eu um daqueles.
Somente um daqueles.
Daqueles que achavam o mundo lindo e bom.
Daqueles que respondiam enquetes sobre “o que você quer que mude na sua cidade?”.
Imagina só, eu mudar a cidade assinando num folheto.
Imagina só, eu mudando o mundo escrevendo sobre amor.
Imagina só...
Em tempos de outrora era eu um daqueles mal falados da rua.
Daqueles que rabisca, rabisca e sai coisas sem sentidos.
Daqueles que pensava que a lua era feita de queijo.
Um utópico!
Imagina só, o São Jorge que mora dentro da lua descendo aqui pra salvar a todos nós.
Imagina só, eu salvar o amor com minhas palavras e as de mais uns amigos pingados.
Em tempos de outrora eu era daqueles que imaginavam que só!

Marcelo C.

sábado, 9 de junho de 2012

Fuga da saudade



A saudade que bate é saudade cruel,
Dos que não vejo, dos que não verei.
Dos que não vi.
Não vi porque não quis,
Escolhi me fingir,
E nessa de fingir, lembrei-me de ti.
De quem procurei fugir.
Saudade.

Marcelo C.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O dia em que faltou sol ( à mim)



Hoje acordei com disposição boa, e depois dei um tempo, pensei em escrever uma poesia simples, deixei pra depois.
Abri a janela do meu quarto na intenção de cegar momentaneamente com a forte intensidade da luz do sol, mas o sol não entrou, parece que hoje faltou. Eu não ceguei por um momento. Eu pensei de olhos fechados porque nessa manhã o sol não quis iluminar meu quarto? Porque mesmo fazendo tudo certo o sol não quis entrar no meu quarto?
Ocorreu-me de concluir que eu no ato de fechar os olhos e só esperar a luz do sol generalizei o mesmo.
O sol e sua luz não agem da mesma forma, eles têm vontade própria em cada moradia.
Não é em todo quarto bagunçado que a luz do sol se sente a vontade para entrar e iluminar.
Com os olhos abertos, parado pra janela acendi um cigarro, consumi em 2 minutos.
Pensando inquieto.
Pensando livremente.
Meu cigarro acabou. Minha razão chegou. A luz não entrou. Não por ter feito meros movimentos errados ou falta de entusiasmo, a luz do sol não entrou porque eu só abri a janela e esqueci as cortinas. Um depende do outro. Sem um o outro morre.
Não pensei em fazer os movimentos por completo, falhei, não houve entrega suficiente num simples ato, não adiantou abrir só a janela, a cortina impediu que entrasse qualquer raio de luz do sol no meu quarto.
E eu só precisei de um cigarro até entender: o problema era a cortina.

Marcelo C.